domingo, 10 de setembro de 2017

Revoltas coloniais e independências na América Latina - com exercícios após o final do texto



Hugo Chaves (ao fundo, retrato de Simón Bolívar)
         Um venezuelano, chamado Hugo Chaves, que foi presidente da república em seu país, desenvolveu um discurso político (que alguns chamam de ideologia) que ele chamava de Bolivarianismo.

          O que é bolivarianismo?
          O termo provém do nome do general venezuelano do século 19 Simón Bolívar, que liderou os movimentos de independência da Venezuela, da Colômbia, do Equador, do Peru e da Bolívia. Convencionou-se, no entanto, chamar de bolivarianos os governos de esquerda na América Latina que questionam o neoliberalismo e o Consenso de Washington (doutrina macroeconômica ditada por economistas do FMI e do Banco Mundial).
Nas primeiras décadas do século XIX a maioria dos países da América Latina se tornaram independentes. Simón Bolívar liderou as lutas que levaram a Venezuela, Colômbia, Equador e Bolívia à superarem o domínio espanhol.
Bolívar sonhou com a América Espanhola unida, formando um grande país americano de fala espanhola. Não foi possível por conta das peculiaridades regionais, do surgimento de outras lideranças políticas em vários dos novos países e da falta de um fator de união que fosse realmente aceito por todos.
A última tentativa de união foi realizada na cidade do Panamá, em 1826, quando Bolívar organizou uma conferência com participação de representantes da maioria dos novos países. Não houve acordo. O sonho de unidade da América Espanhola desapareceu.
Por causa desta ideia que Hugo Chaves chamou a sua ideologia de Bolivarianismo. A intenção maior seria unir a América Latina em torno de ideais comuns (política internacional anti norte americana e assistencialismo que pretendia mostrar-se socialista).
Independências – antecedentes
Durante o século XVIII, os interesses das elites coloniais, na América Latina, entraram em choque com os objetivos exploradores das Metrópoles.
O despotismo esclarecido em Portugal e na Espanha agravaram a pressão sobre os colonos com novos impostos.
Os jovens, filhos de famílias ricas, eram enviados para frequentar universidades na Europa. Lá aprendiam sobre as ideias políticas e econômicas iluministas. Muitos desenvolviam planos políticos para seus países.
A Revolução Industrial animou os projetos britânicos de estimular as independências na América Latina para se livrar do monopólio comercial. Assim poderiam vender seus produtos diretamente aos latino americanos.
As experiências dos colonos ingleses da América do Norte (Revolução Americana) e dos franceses (Revolução Francesa) foram modelos a serem copiados. Fizeram com que os líderes políticos latino americanos planejassem revoltas e independências.
Na América Espanhola ocorreram, durante o século XVIII, tentativas frustradas de independência como a dos Comuneros da Colômbia, dos índios e mestiços liderados por Tupac Amarú, na região dos Andes e do General Francisco Miranda, no começo do século XIX, na Venezuela.
 No Brasil, nesta mesma época, ocorreram algumas tentativas frustradas de movimentos de libertação. As mais conhecidas foram as seguintes:
- Inconfidência Mineira (1789) – a elite regional buscava a independência de Minas Gerais, com ampliação do território até a província do Rio de Janeiro. O movimento não chegou efetivamente a ter início. Devido a denúncias, vários envolvidos foram presos e um foi executado: o alferes Joaquim José da Silva Xavier (Tiradentes).
- Conjuração Baiana ou Revolta dos Alfaiates (1798) – buscava a independência da Bahia. A forte participação de negros e mestiços enfraqueceu o apoio da elite baiana. Devido as denúncias e prisões, o movimento ocorreu desorganizado. Vários envolvidos foram presos e quatro deles foram executados: Luiz Gonzaga das Virgens, Lucas Dantas, João de Deus Nascimento e Manuel Faustino dos Santos.
Independências – processos
1 – Revoltas negras.
Revoltas de escravos no Haiti - cena de uma batalha
Na ilha de São Domingos aconteceu uma rebelião de escravos em 1791. Esta revolta se alastrou por várias fazendas e transformou-se em uma revolução que os brancos de origem francesa não conseguiram dominar. Um 1803 foi proclamada a independência do Haiti, sob a liderança de Toussaint Louverture, um ex-escravo. Foi a primeira república negra do mundo contemporâneo.
2 – Guerras Napoleônicas.
Algumas consequências do decreto do Bloqueio Continental, de Napoleão Bonaparte, atingiram fortemente a América Latina. A recusa do rei da Espanha em aderir ao bloqueio napoleônico levou à invasão francesa. O rei espanhol foi preso por Napoleão e o controle administrativo da metrópole, sobre as colônias americanas, desapareceu rapidamente.
A elite colonial (criollos) passou a controlar as ações políticas e as independências aconteceram. Algumas antes, outras depois da restauração espanhola.
Criollos – elite colonial na América Espanhola. Descendentes de espanhóis nascidos na América. Eram proprietários de latifúndios ou de minas (ouro ou prata). Tinham poder econômico, mas não podiam exercer altos cargos na administração colonial. Para os cargos mais importantes eram nomeados homens nascidos na Espanha (chapetones).
Simon Bolívar
San Martin
Além de Simón Bolívar, destacou-se o general San Martin. Este liderou ou participou das lutas pelas independências da Argentina, Chile e Peru.
Outros países conseguiram as suas independências nesta fase também, como foram os casos do Paraguai, México e América Central.
OBS – O Brasil ficou independente na mesma época (1822), mas o processo tem particularidades que merecem ser mostradas separadamente.
Atualidades
Em 2013 o presidente Hugo Chaves morreu devido às consequências de um câncer. O Vice-Presidente, Nicolás Maduro, passou a exercer a liderança política da Venezuela e a representar os ideais bolivarianos (também chamados de Chavismo).
Nicolás Maduro - presidente da Venezuela
Presidentes de vários países latino americanos ligaram-se a bolivarianismo, como os que aparecem nas imagens seguintes.
Da esquerda para a direita: Hugo chaves (Venezuela), Rafael Correa (Equador) e Evo Morales (Bolívia)
Líderes de outros países não esconderam as suas simpatias a Hugo Chaves.
Da esquerda para a direita: Hugo Chaves (Venezuela), Néstor Kirchner (Argentina) e Lula (Brasil)



  








 
Hugo Chaves (Venezuela) e Cristina Kirchner (Argentina) 







 
Dilma Rousseff (Brasil) e Hugo Chaves (Venezuela)
                      
Exercícios – revoltas coloniais e independências na América Latina.

Consultar livro: pág. 120 a 127 (com gabarito)



1 – Compare as lideranças nos processos de independência na América Espanhola e no Haiti.

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2 – Explique a relação entre as ideias defendidas pelo venezuelano Hugo Chaves e o líder das independências Simon Bolívar.

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Sugestão de leitura para as horas vagas


RESPOSTAS

1) Nos países da América Espanhola as lideranças políticas eram predominantemente da elite local (criollos), brancos e intelectualizados (muitos estudaram na Europa). Nos domínios franceses que deram origem ao Haiti, os líderes políticos do processo revolucionário eram escravos, negros e analfabetos.
2) Hugo Chaves usou de Bolívar o sonho de união dos países da América Espanhola e o inimigo a ser temido. Trocou a ideia de união de fato pela unidade ideológica que tem influências socialistas e o inimigo escolhido por Bolívar, que era o Brasil, foi trocado pelos EUA.

         

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